O mercado de trabalho brasileiro continua forte. A taxa de desocupação caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, informou o IBGE nesta sexta-feira (30), com base na Pnad Contínua. No trimestre anterior, até junho, a taxa estava em 5,4%. Um ano antes, era de 5,6%.

O resultado veio dentro do esperado: as projeções coletadas pelo Broadcast iam de 5,2% a 5,3%. É o menor patamar para um terceiro trimestre desde o início da série atual da pesquisa, em 2012.

Os principais números

IndicadorTrimestre até set/2026
Taxa de desocupação5,2%
Trimestre anterior (até jun/2026)5,4%
Mesmo período de 20255,6%
Rendimento médio real habitualR$ 3.790 (+3,6% em 12 meses)
Massa de rendimento realR$ 387,5 bilhões (+4,7% em 12 meses)

O que significa a renda “real”

O rendimento real é o salário já descontada a inflação. Uma alta de 3,6% significa que, em média, o trabalhador consegue comprar 3,6% mais coisas com o que ganha do que conseguia um ano atrás. A massa de rendimento soma a renda de todos os trabalhadores ocupados: ela subiu 4,7%, porque cresceram ao mesmo tempo o número de pessoas trabalhando e o quanto cada uma ganha.

Como o IBGE mede o desemprego

Na Pnad Contínua, o IBGE visita domicílios em todo o país. É considerada desocupada a pessoa que não trabalhou na semana da pesquisa, procurou emprego e estava disponível para começar. Quem não procurou trabalho, por exemplo por desânimo ou por estar estudando, não entra nessa conta. Os resultados são apresentados em trimestres móveis, ou seja, sempre comparando períodos de três meses.

Emprego forte é boa notícia, mas pesa nos juros

Para as famílias, desemprego baixo e renda em alta significam mais segurança e mais poder de compra. Para o Banco Central, porém, um mercado de trabalho muito aquecido é um sinal de alerta: com mais gente empregada e ganhando mais, a demanda por bens e serviços cresce, e isso pode pressionar os preços, principalmente nos serviços.

Na última decisão, em setembro, o Copom destacou justamente que o mercado de trabalho segue aquecido. Somado à alta do dólar após a eleição e à inflação de 12 meses acima do teto da meta, esse quadro reforça a aposta de que o Banco Central pode interromper os cortes da Selic na reunião da próxima semana. Explicamos os cenários neste guia sobre o Copom.

O que muda no seu bolso

  • Quem procura emprego: o cenário é mais favorável do que em anos anteriores, o que também dá mais poder de negociação salarial em várias áreas.
  • Quem tem dívidas: o outro lado da moeda é que juros altos por mais tempo mantêm caros o crédito pessoal, o cartão e o cheque especial. Vale priorizar a quitação das dívidas mais caras.
  • Quem investe: uma Selic elevada por mais tempo favorece aplicações de renda fixa pós-fixadas, como o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI.