Na próxima quarta-feira, 4 de novembro, o Banco Central anuncia a nova taxa Selic. Até poucos dias atrás, a aposta majoritária era de mais um corte. Depois do resultado das eleições e da disparada do dólar, o cenário mudou: agora, a maior parte do mercado espera que os juros fiquem parados em 13,75% ao ano.
O que é o Copom?
O Comitê de Política Monetária (Copom) é o grupo formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros da economia. São oito reuniões por ano, cada uma com dois dias de duração. A decisão é divulgada no fim da tarde do segundo dia, com um comunicado que explica os motivos. Uma semana depois, sai a ata, com mais detalhes do debate.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e ajudam a segurar os preços. Juros mais baixos fazem o contrário.
Onde estamos
A Selic começou 2026 em 15% ao ano. Desde março, o Copom fez cinco cortes de 0,25 ponto, chegando a 13,75% na reunião de 16 de setembro. Na ocasião, o comitê disse que o tamanho total do ciclo de cortes seria definido “à luz de novas informações”.
Como as apostas mudaram
As opções de Copom negociadas na B3 funcionam como um termômetro das expectativas. Segundo levantamentos publicados pelo Valor Investe e pelo Seu Dinheiro com base nesses contratos:
| Cenário para 4/11 | Antes da eleição (23/10) | Depois (27/10) |
|---|---|---|
| Manter a Selic em 13,75% | 17,5% | cerca de 61% |
| Cortar 0,25 ponto (13,50%) | 76% | entre 28% e 36% |
| Subir 0,25 ponto | — | 1,6% |
As diferenças entre as fontes no cenário de corte refletem horários e métodos distintos de coleta. Em todos os levantamentos, a manutenção virou o cenário mais provável.
Por que o mercado mudou de ideia
- Dólar mais caro: a moeda saiu de cerca de R$ 5,04 na véspera da eleição para a faixa de R$ 5,40. Câmbio alto encarece importados e pode pressionar a inflação.
- Inflação acima do teto: o IPCA acumulado em 12 meses está acima de 4,5%, limite superior da meta. Veja os detalhes na nossa análise do IPCA-15.
- Emprego forte: o desemprego caiu para 5,2%, e a renda real subiu 3,6% em um ano, o que mantém a demanda aquecida. Entenda os números.
- Incerteza fiscal: sem clareza sobre as contas públicas, os juros futuros dispararam após a eleição.
- Fed mais duro: nos EUA, cresce a chance de alta de juros em dezembro.
Há também quem vá além. A analista Laís Costa, da Empiricus, disse ao Seu Dinheiro que espera a volta das altas de juros no início do segundo trimestre de 2027.
O que muda no seu bolso
Se a Selic ficar em 13,75%: financiamentos, empréstimos e o rotativo do cartão continuam caros por mais tempo. Em compensação, aplicações pós-fixadas seguem rendendo bem: o CDI estava em 13,65% ao ano no fim de outubro.
- Quem pensa em financiar imóvel ou carro: não conte com queda rápida das taxas nos próximos meses. Compare o custo efetivo total (CET) entre bancos.
- Quem tem dívidas caras: com juros altos por mais tempo, quitar ou renegociar o cartão e o cheque especial continua sendo prioridade.
- Quem investe em renda fixa: o Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI se beneficiam de juros altos por mais tempo. Títulos atrelados à inflação voltaram a oferecer taxas reais perto de 8% ao ano após a eleição, mas os de prazo longo oscilam bastante no caminho. Entenda como funciona a marcação a mercado.
Quando sai a decisão
A reunião acontece nos dias 3 e 4 de novembro, e o comunicado é divulgado na noite de quarta-feira (4), após o fechamento do mercado. Além da decisão, vale ler o tom do texto: ele indica se o Banco Central vê a pausa como algo temporário ou se abre espaço para mudar de direção.