A prévia da inflação oficial trouxe uma notícia boa e uma ruim. O IPCA-15 de outubro, divulgado pelo IBGE na sexta-feira (23), subiu 0,32%, uma desaceleração forte em relação aos 0,70% de setembro e abaixo das projeções do mercado, que giravam em torno de 0,44%. Por outro lado, o acumulado em 12 meses passou de 4,47% para 4,62% e ficou acima de 4,5%, o limite superior da meta de inflação.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é considerado a prévia do IPCA, o índice oficial de inflação do país. A metodologia é a mesma, mas o período de coleta é diferente: no caso de outubro, os preços foram pesquisados entre meados de setembro e meados de outubro. Por sair antes, ele ajuda a antecipar a tendência do índice cheio.
O que segurou a inflação em outubro
O principal alívio veio da energia elétrica, que ficou 0,89% mais barata com a mudança da bandeira tarifária. Em setembro, a conta de luz tinha subido 7,42%, o que explica boa parte da alta daquele mês. O grupo Habitação, que inclui a energia, foi o único dos nove pesquisados a fechar outubro em queda, com recuo de 0,10%.
O que subiu
| Grupo | Variação em outubro |
|---|---|
| Despesas pessoais | +0,55% |
| Vestuário | +0,53% |
| Comunicação | +0,43% |
| Artigos de residência | +0,28% |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,15% |
| Educação | +0,09% |
| Habitação | -0,10% |
Dentro de despesas pessoais, ingressos de cinema, teatro e shows se destacaram, com alta de mais de 4%.
Por que o acumulado subiu se o mês desacelerou?
O número de 12 meses compara a soma dos últimos doze resultados mensais. Em outubro de 2025, a prévia havia subido apenas 0,18%. Como o resultado deste ano (0,32%) foi maior do que o do mesmo mês do ano passado, o acumulado aumentou, mesmo com a desaceleração em relação a setembro. No ano, a alta chega a 4,15%.
A meta de inflação e a Selic
A meta de inflação do Brasil é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, o teto é 4,5%. Para conter os preços, o Banco Central usa a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano. No boletim Focus desta semana, coletado antes do resultado das eleições, os economistas projetavam IPCA de 5,19% para 2026, acima do teto.
O dólar mais caro muda o cenário
O resultado de outubro foi divulgado antes do segundo turno. Na segunda-feira (26), o dólar saltou mais de 8%, para R$ 5,40. Um câmbio mais alto, se persistir, encarece produtos importados, combustíveis e insumos da indústria, o que costuma aparecer nos índices de preços com algumas semanas ou meses de atraso. Economistas já apontam que o choque cambial reduz o espaço para novos cortes de juros e pode até levar o Copom a mudar de direção. A próxima decisão sobre a Selic sai em 4 de novembro, e o IPCA cheio de outubro será divulgado no início do mês.
O que muda no seu bolso
- Conta de luz: a bandeira tarifária mais branda trouxe alívio em outubro; acompanhe a bandeira de cada mês, que é divulgada pela Aneel.
- Compras de fim de ano: com o dólar em alta, eletrônicos e itens importados podem encarecer nas próximas semanas.
- Investimentos: com inflação acima do teto, títulos atrelados ao IPCA ganham relevância para proteger o poder de compra no longo prazo.