Quem tem viagem marcada para o exterior ou costuma comprar em sites internacionais sentiu o golpe nesta semana. Na segunda-feira (26), o dólar comercial subiu 8,21% e fechou a R$ 5,403, depois de terminar a sexta-feira abaixo de R$ 5,00. Na prática, uma despesa de US$ 1.000 que custava cerca de R$ 5.000 passou a custar mais de R$ 5.400, antes mesmo dos impostos e das taxas.

Neste guia, explicamos o que encarece de verdade, como funcionam os principais meios de pagamento e quais atitudes ajudam a reduzir o impacto.

Dólar comercial x dólar turismo

O dólar comercial é a cotação usada por empresas e bancos em grandes operações, e é a que aparece no noticiário. O dólar turismo é o valor cobrado de quem compra a moeda para viajar, e costuma ser mais alto porque inclui custos de transporte, armazenamento e a margem da casa de câmbio. Por isso, mesmo com o comercial a R$ 5,40, o valor final para o viajante tende a ser maior.

Quanto custa o IOF em 2026

O Imposto sobre Operações Financeiras incide sobre praticamente todas as formas de gastar em moeda estrangeira. Pelas regras em vigor desde julho de 2025:

OperaçãoIOF
Compras no exterior com cartão de crédito3,5%
Compras com cartão de débito ou pré-pago internacional3,5%
Compra de moeda em espécie3,5%

No cartão pré-pago, o imposto é cobrado no momento em que você carrega o saldo, e não a cada compra. Isso permite travar o custo em reais antes de viajar.

Como funciona a conversão no cartão de crédito

Quando você usa o cartão de crédito no exterior, a compra é feita em dólar e depois convertida para reais pelo banco emissor. A cotação aplicada costuma ser a do dia em que o emissor processa a transação, que pode ser alguns dias depois da compra, e não necessariamente a do momento em que você passou o cartão. Como o IOF incide sobre o valor já convertido, qualquer variação do câmbio nesse intervalo também muda o imposto.

A regra exata, incluindo o spread cobrado sobre a cotação, varia de banco para banco e está no contrato do cartão. Vale consultar o aplicativo ou a central do seu banco antes da viagem.

Comparando os meios de pagamento

MeioVantagemAtenção
Cartão de créditoPraticidade e prazo para pagarCâmbio definido depois da compra; spread do banco
Conta global / cartão de débito internacionalVocê converte quando quiser e sabe quanto pagouCompare o spread de cada instituição
Cartão pré-pagoCusto travado ao carregarSaldo que sobrar pode ter custo para voltar a reais
Dinheiro em espécieAceito em qualquer lugarRisco de perda ou roubo; câmbio turismo mais caro

Estratégias para não ser pego de surpresa

  • Compre aos poucos: em vez de converter todo o valor de uma vez, divida as compras de moeda ao longo das semanas antes da viagem. Assim você forma um preço médio e reduz o risco de comprar tudo no pior dia.
  • Defina um orçamento em dólar: pense nos gastos da viagem na moeda local e converta só o necessário, deixando uma pequena margem de segurança.
  • Antecipe o que puder: passagens e hospedagens pagas em reais, quando a tarifa for equivalente, eliminam o risco cambial dessa parte da viagem.
  • Atenção às compras online: lojas estrangeiras que cobram em dólar seguem a mesma lógica do cartão. Com o câmbio volátil, vale comparar com o preço de lojas nacionais.
  • Não use o câmbio para especular: tentar adivinhar o melhor dia para comprar dólar costuma dar errado. O objetivo é previsibilidade, não lucro.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe ao certo. O salto desta semana veio da reação do mercado ao resultado da eleição e às dúvidas sobre as contas públicas, e o Banco Central e o Tesouro já atuaram para reduzir a volatilidade. Antes do segundo turno, o boletim Focus projetava dólar de R$ 5,05 no fim de 2026, número que deve ser revisado nas próximas semanas. A decisão do Fed nesta quarta-feira também pode influenciar o câmbio. Entenda o que esperar dos juros americanos e por que o dólar disparou.