A bolsa brasileira ainda não encontrou fôlego depois do tombo histórico do início da semana. Na quinta-feira (29), o Ibovespa caiu 1,06% e fechou aos 169.186 pontos, emendando a quarta sessão seguida de queda. Foi a primeira vez desde agosto que o principal índice da B3 terminou o dia abaixo da marca dos 170 mil pontos. Na mínima, chegou aos 168.765 pontos.
O dólar à vista subiu 0,76% e fechou cotado a R$ 5,3875, em linha com a valorização da moeda americana frente a outras divisas de países emergentes.
Por que a bolsa continua caindo?
O pano de fundo é o mesmo desde segunda-feira, quando o Ibovespa despencou 13,88% no primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, como explicamos nesta reportagem. Os investidores querem saber como o governo pretende controlar o crescimento da dívida pública a partir de 2027. Sem essa resposta, cobram juros mais altos para emprestar ao país e pagam menos pelas ações das empresas.
“A principal preocupação é a capacidade do governo de estabilizar a dívida pública e recuperar a confiança dos investidores”, disse à CNN Brasil Thiago Pedroso, responsável por renda variável da Criteria. Na avaliação dele, a falta de uma estratégia clara pode manter os juros elevados por mais tempo.
Quem pesou no índice
- Bradesco (BBDC4): as ações recuaram depois de relatórios de analistas com avaliações mais pessimistas sobre o banco. Os grandes bancos já tinham sido os mais castigados na segunda-feira.
- Ambev (ABEV3): pressionou o índice após a divulgação do balanço do terceiro trimestre.
- Vale (VALE3): divulgou na quinta-feira lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre, queda de 53% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado, medida de geração de caixa operacional, recuou 24%, para US$ 3,327 bilhões. A reação das ações aparece no pregão desta sexta-feira.
O que se sabe sobre o novo ministro da Fazenda
A definição de quem vai comandar a economia no novo mandato é o sinal mais aguardado pelo mercado. Em entrevista ao Broadcast Político na segunda-feira (26), o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a escolha não será imediata e que o nome será anunciado até o fim do ano. “O ministro da Fazenda será alguém da extrema confiança dele, já que a política econômica é do Lula”, disse.
Edinho também afirmou que o presidente “não abrirá mão do superávit fiscal”, isto é, de arrecadar mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. Entre os nomes mencionados por ele estão o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. O atual ministro, Dario Durigan, foi elogiado, mas seu futuro não foi definido.
A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet disse à CNN que equipes de alguns ministérios já têm um conjunto de medidas de ajuste fiscal prontas para apresentar ao presidente. “A janela de oportunidade é agora”, afirmou.
Lá fora, o Fed manteve os juros
No exterior, o banco central americano manteve a taxa básica entre 3,75% e 4% na quarta-feira, como esperado, mas com dois votos a favor de alta. O mercado passou a ver grande chance de aumento em dezembro, o que tende a fortalecer o dólar no mundo. Detalhamos a decisão nesta notícia.
O que muda no seu bolso
- Investimentos em ações: a sequência de quedas mantém a carteira de quem investe em bolsa no vermelho. Para quem tem horizonte longo, especialistas lembram que vender no meio da turbulência significa realizar a perda.
- Dólar: a moeda recuou dos picos de segunda-feira, mas segue bem acima dos R$ 5,00 de antes da eleição, o que mantém viagens e compras no exterior mais caras.
- Juros: a incerteza fiscal reduz as chances de novos cortes da Selic. Veja o que esperar do Copom da próxima semana.
O que observar
Os próximos sinais virão do anúncio da equipe econômica, de eventuais medidas fiscais e da reunião do Copom, que termina na quarta-feira, 4 de novembro. Até lá, a tendência é de volatilidade elevada na bolsa e no câmbio.