Como o mercado esperava, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano na quarta-feira (28). O recado, porém, foi de que a porta para novas altas continua aberta. Antecipamos os cenários da reunião nesta prévia.
Uma decisão dividida
O placar foi de 10 votos a 2. A diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Hammack já havia votado por alta em julho. Em setembro, o Fed chegou a elevar os juros em 0,25 ponto.
No comunicado, o comitê reconheceu que a inflação “continua elevada” e melhorou sua avaliação sobre a economia americana. O texto afirma que “a coleta de mais informações ajudará o Comitê a determinar a postura de política monetária adequada” para levar a inflação de volta à meta de 2%.
Por que a inflação americana preocupa
Economistas e integrantes do Fed apontam um conjunto de pressões sobre os preços:
- o choque persistente nos custos de energia, com o petróleo acima de US$ 100 o barril em meio às tensões no Oriente Médio;
- efeitos que ainda restam das tarifas de importação;
- a forte demanda ligada aos investimentos em inteligência artificial;
- gastos sólidos dos consumidores.
O que disse Kevin Warsh
Na entrevista após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, repetiu que a inflação segue alta e que o banco central precisa de mais dados para avaliar se o nível atual dos juros é suficiente. Ele também anunciou uma mudança no calendário: em 2027, o comitê fará oito reuniões, sendo uma dedicada à estratégia de política monetária. Em 2028, serão seis reuniões de decisão de juros e duas de estratégia. Warsh já tinha defendido, em julho, um calendário com menos reuniões de decisão, para dar mais tempo de acumular informações entre um encontro e outro.
Dezembro no radar
Mesmo com a manutenção, os investidores aumentaram as apostas em alta na próxima reunião. Perto do fechamento de quarta-feira, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 85% de probabilidade de alta de 0,25 ponto em dezembro. Na Casa Branca, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, avaliou que o Fed pode manter os juros em dezembro, o que mostra que a decisão ainda está em aberto.
Wall Street recebeu a decisão com tranquilidade e fechou em leve alta: o Dow Jones subiu 0,19%, o S&P 500 avançou 0,28% e o Nasdaq, 0,27%. O dia também foi marcado por balanços fortes de empresas ligadas à inteligência artificial, como a Oracle.
O que isso muda para o Brasil
- Dólar: a perspectiva de juros mais altos nos EUA tende a fortalecer a moeda americana no mundo. Na quinta-feira (29), o dólar subiu 0,76% frente ao real, em linha com outras moedas emergentes.
- Selic: um Fed mais duro reduz o espaço para o Banco Central cortar juros aqui, especialmente com o real já pressionado pela incerteza fiscal. Veja o que esperar do Copom.
- Investimentos no exterior: quem aplica em renda fixa americana pode encontrar taxas mais atraentes, mas fica exposto à variação do câmbio.