Nota de transparência: o Claude, assistente de IA da Anthropic, está entre as ferramentas usadas na produção deste site. Esta reportagem segue a mesma política editorial das demais, com base em fontes públicas indicadas ao final.
A Anthropic, empresa americana de inteligência artificial responsável pelo assistente Claude, deu mais um passo rumo à bolsa de valores. Na segunda-feira (26), a companhia tornou públicos os números do seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, e o mercado reagiu com uma onda de compras em ações de tecnologia.
O que o prospecto mostra
De acordo com a agência Reuters, o documento enviado ao regulador americano revela uma empresa com crescimento de receita acelerado e custos igualmente altos:
| Indicador (1º semestre de 2026) | Valor |
|---|---|
| Receita | cerca de US$ 16,3 bilhões |
| Prejuízo líquido | US$ 80,7 bilhões |
O prejuízo chama atenção, mas grande parte dele vem de um efeito contábil: o aumento do valor justo de títulos de dívida conversíveis em ações. Quando a empresa se valoriza muito, o valor desses títulos sobe no balanço e isso entra como despesa, mesmo sem saída de dinheiro do caixa. Ainda assim, o documento deixa claro que desenvolver modelos de IA de ponta exige investimentos enormes em centros de dados e chips. O texto também dedica espaço aos riscos da tecnologia e à necessidade de desenvolvê-la com cautela.
Qual o tamanho da oferta?
Os termos finais ainda não foram definidos. Relatos de mercado apontam que a operação pode levantar pelo menos US$ 100 bilhões, com avaliação entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões, o que a colocaria entre as maiores estreias da história das bolsas. Para comparação, em junho deste ano a empresa havia anunciado uma rodada privada de US$ 65 bilhões que a avaliou em US$ 965 bilhões, mesma época em que entregou o pedido confidencial de IPO à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA.
Como o mercado reagiu
A notícia animou Wall Street na segunda-feira, que vinha de uma semana de perdas por causa da alta do petróleo e de dúvidas sobre o retorno dos gastos com IA. O Nasdaq, índice com forte peso de tecnologia, subiu 0,83%, o S&P 500 avançou 0,70% e o Dow Jones, 0,28%. Ações de fabricantes de chips e de empresas ligadas à infraestrutura de IA estiveram entre os destaques.
Na terça-feira (27), porém, o entusiasmo esfriou. Segundo a Bloomberg, os contratos futuros dos índices americanos operavam estáveis, com os investidores voltando a atenção para a decisão do Fed e para a temporada de balanços.
A corrida por dinheiro no setor de IA
O pedido da Anthropic chega em meio a uma série de captações gigantescas no setor de tecnologia:
- A Meta anunciou planos de levantar até cerca de US$ 95 bilhões com venda de ações para financiar sua expansão em IA, segundo a Reuters.
- A OpenAI, criadora do ChatGPT, também busca o caminho da bolsa e levantou US$ 122 bilhões em uma rodada privada em março.
- A SpaceX foi a primeira do trio de megaempresas a formalizar sua abertura de capital neste ano.
Para parte dos analistas, esse movimento marca a reabertura da janela de IPOs depois de anos de poucas estreias. Para outros, o volume de dinheiro e o endividamento crescente das empresas de tecnologia reforçam o temor de uma bolha. O economista Ed Yardeni, por exemplo, disse à CNBC que vê o mercado de IA como uma bolha, mas acredita que uma desaceleração gradual seria saudável, e não necessariamente um estouro.
O que isso significa para o investidor brasileiro
- Exposição indireta: quem investe em ETFs ou fundos que acompanham o Nasdaq ou o S&P 500 já tem exposição ao setor de tecnologia americano.
- Acesso ao IPO: ações de empresas estreantes nos EUA costumam ficar disponíveis para brasileiros por meio de corretoras internacionais ou, mais tarde, de BDRs negociados na B3, caso sejam lançados.
- Volatilidade: estreias muito aguardadas costumam ter forte oscilação nos primeiros dias. Comprar por empolgação, sem entender o negócio e o preço pago, é um dos erros mais comuns.
- Câmbio: investir no exterior também significa ficar exposto ao dólar, que nesta semana subiu com força frente ao real.
Veja também o que esperar da decisão do Fed desta quarta-feira.