A primeira semana depois da eleição presidencial terminou com números que não se viam havia anos no mercado brasileiro. Na sexta-feira (30), último pregão de outubro, o Ibovespa recuou 0,75% e fechou aos 167.921 pontos. Foi a quinta queda seguida do principal índice da B3.

Somadas as cinco sessões, a bolsa perdeu 18,12%. É o pior resultado semanal desde março de 2020, quando o início da pandemia derrubou o índice em 18,88%. Já o dólar à vista subiu 1,09% no dia, para R$ 5,446, o maior valor de fechamento do ano.

Como foi a semana, dia a dia

Quase toda a perda veio no primeiro pregão após a votação, quando o circuit breaker chegou a ser acionado. Nos dias seguintes, a bolsa não conseguiu se recuperar:

DiaVariação do Ibovespa
Segunda-feira (26/10)-13,88%
Terça-feira (27/10)-0,51%
Quarta-feira (28/10)-2,68%
Quinta-feira (29/10)-1,06%
Sexta-feira (30/10)-0,75%
Semana-18,12%

Na quinta-feira, o índice já tinha perdido o patamar dos 170 mil pontos, como mostramos nesta reportagem. Segundo a B3, investidores retiraram quase R$ 7,6 bilhões do mercado de ações nos três primeiros pregões da semana.

Dólar: maior alta semanal desde 2008

No câmbio, a semana acumulou valorização de 9,15%. É a maior alta semanal desde outubro de 2008, no auge da crise financeira global, semanas depois da quebra do banco americano Lehman Brothers. No dia, a moeda chegou a R$ 5,463 por volta das 16h, antes de reduzir parte do avanço.

Parte da oscilação do fim da tarde teve relação com a formação da Ptax de fim de mês, a taxa de referência do Banco Central usada para liquidar contratos. Também houve procura por proteção cambial antes do feriado de Finados, na segunda-feira (2).

Outubro: o pior mês desde 2022

No balanço do mês, o Ibovespa caiu cerca de 9,9% (a Agência Brasil calcula 9,88%; a CNN Brasil, 9,75%). É a maior perda mensal desde junho de 2022. O dólar subiu 5,27% em outubro e passou a acumular alta de 0,81% em 2026.

IndicadorSexta (30/10)SemanaOutubro
Ibovespa-0,75%-18,12%-9,88%
Dólar à vista+1,09%+9,15%+5,27%

Por que o mercado caiu tanto?

O principal motivo é a dúvida sobre as contas públicas no novo mandato do presidente Lula, reeleito no domingo (25). Investidores aguardam a definição da equipe econômica e sinais concretos de como o governo pretende equilibrar receitas e despesas. Enquanto essas respostas não chegam, cobram mais para financiar o país, o que pressiona juros, dólar e ações. Explicamos esse mecanismo em detalhes neste guia sobre risco fiscal.

O exterior não ajudou. Na sexta, o S&P 500 caiu 1,82% em Nova York, puxado por ações de tecnologia depois que a Amazon detalhou gastos elevados com inteligência artificial e a Intel fez um alerta sobre seus resultados. O ambiente de aversão a risco costuma tirar dinheiro de mercados emergentes como o Brasil.

O que muda no seu bolso

Viagem e compras em dólar: com a moeda acima de R$ 5,40, gastos no exterior e em sites internacionais ficaram mais caros. Veja como se proteger do dólar alto.

  • Preços: câmbio alto por muito tempo encarece produtos importados, combustíveis e itens com insumos cotados em dólar, o que pode pesar na inflação dos próximos meses.
  • Ações e fundos de ações: quem investe em bolsa viu o saldo encolher. Uma queda forte em poucos dias não significa prejuízo definitivo para quem não vende, mas mostra por que dinheiro de curto prazo não deve ficar em renda variável.
  • Juros: a turbulência reduziu as apostas em corte da Selic no Copom de 4 de novembro, o que mantém o crédito caro por mais tempo.

Este texto é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.